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GEOGRAFIA
FÁCIL
Em poucas palavras...
É
muito antiga a
preocupação do homem em conhecer o meio no
qual se desenrola sua vida, algumas vezes por
curiosidade, outras com fins econômicos ou
políticos. A abordagem sistemática do
conhecimento da Terra é precisamente o objetivo
da geografia, disciplina cujo nascimento pode
ser situado na própria origem do homem, embora
só tenha alcançado a categoria de ciência com o
florescimento da civilização grega.
Geografia é o
estudo da superfície da Terra.
Sua denominação procede dos vocábulos
gregos geo ("Terra") e
graphein ("escrever").
A superfície terrestre, que
compreende a atmosfera, a
litosfera, a hidrosfera e a
biosfera, é o habitat, ou meio
ambiente, em que podem viver os
seres humanos.
A área habitável
da superfície terrestre
apresenta várias características,
das quais uma das mais
importantes é a complexa interação
dos elementos físicos, biológicos
e humanos, como relevo, clima, água,
solo, vegetação, agricultura e
urbanização. Outra característica
é a grande variabilidade do
ambiente de um lugar para outro,
dos trópicos às frias regiões
polares, de áridos desertos a úmidas
florestas equatoriais, de vastas
planícies a montanhas
escarpadas, de superfícies
geladas e desabitadas a metrópoles
densamente povoadas. Outra
característica ainda é a
regularidade com que se registram
determinados fenômenos, como os
climáticos, o que permite
generalizações sobre sua
distribuição espacial. Os
exemplos mais óbvios são as
medidas de temperatura e
precipitação, principais
elementos climáticos para a
agropecuária e outras atividades
humanas. A geografia se preocupa
particularmente com a localização
espacial (especialmente a relação
entre a sociedade e a terra, da
mesma forma que a ecologia e
afinidades ), com a regionalização
e com a distribuição das áreas.
Pesquisa a respeito dos lugares
onde as pessoas vivem, sobre a
superfície da Terra e os fatores
(ambientais, culturais, econômicos
recursos naturais) que influem
nessa distribuição. Tenta
responder a questão e a
possibilidade de reconhecer uma
região sobre a qual vive uma
população, meio de vida,
cultura e relações que ocorrem
entre os diferentes lugares.
1- História
2-
Principais geógrafos
3-
Disciplinas da Geografia Moderna
4-
Cartografia e Escalas
5-
Correntes do Pensamento Geográfico


1- História
Os primeiros registros de
conhecimentos geográficos se
encontram em relatos de
viajantes, como o grego Heródoto,
no século V a.C. A percepção
dos gregos sobre a Terra era
bastante avançada, e filósofos
como Pitágoras e Aristóteles
acreditavam que ela tinha a forma
esférica. No século III a.C.,
Erastóstenes de Cirene, na Geographica, primeira obra a usar
a palavra geografia no título,
calculou a circunferência da
Terra com assombrosa aproximação.
Posteriormente, o geógrafo e
historiador grego Strabo compilou
todo o conhecimento clássico
sobre geografia numa obra de 17
volumes sobre a época de Cristo,
que se tornou a única referência
sobre obras gregas e romanas
desaparecidas. Outra importante
contribuição, apesar dos erros
que seus estudos apresentavam,
foi a do astrônomo e geógrafo
Ptolomeu, do século II da era
cristã.
Com a queda do Império
Romano no Ocidente, o
conhecimento geográfico greco-romano
perdeu-se na Europa, mas, durante
os séculos XI e XII foi
preservado, revisto e ampliado
por geógrafos árabes. As adições
e correções que estes fizeram,
no entanto, foram ignoradas pelos
pensadores europeus que, na época
das cruzadas, retomaram as
primeiras teorias. Assim, os
erros de Ptolomeu se perpetuaram
no Ocidente até que as viagens
realizadas dos séculos XV e XVI
começaram a reabastecer a Europa
de informações mais detalhadas
e precisas sobre o resto do mundo.
Em 1570, o cartógrafo flamengo
Abraham Ortelius organizou vários
mapas sob a forma de livro, no
primeiro Atlas de que se tem notícia.
2-Principais
Geógrafos
Bernhardus
Varenius
Uma importante
figura da retomada dos estudos de
geografia , cuja Geographia
generalis (1650; Geografia geral)
foi várias vezes revisada e
permaneceu como principal obra de
referência durante um século ou
mais. Também era de Flandres o
cartógrafo mais importante do século
XVI, Gerardus Mercator (Gerard de
Cremer), que criou um novo
sistema de projeções,
aprimorando os que usavam
longitudes e latitudes.
James
Cook
James Cook fixou novos padrões
de precisão e técnica em navegação.
Realizou viagens com fins científicos
e, na segunda delas, a mais
famosa, de 1772 a 1775,
circunavegou o globo. Na França
surgiu a primeira pesquisa topográfica
detalhada de um grande país,
levada a cabo entre os séculos
XVII e XVIII por quatro gerações
de astrônomos e pesquisadores da
família Cassini. Em seu trabalho
se baseou o Atlas nacional da
França, publicado em 1791.
Alexander
von Humboldt
Como muitos que o
antecederam, se propôs conhecer
outras partes do mundo, mas
acabou se distinguindo pela
cuidadosa preparação que
antecedia suas viagens, pelo
alcance e precisão de suas
observações. São de especial
interesse seus estudos sobre os
Andes (feitos durante uma viagem
às Américas Central e do Sul,
entre 1799 e 1804), em que pela
primeira vez se fez uma descrição
sistemática e inter-relacionada
da altitude, temperatura, vegetação
e agricultura em montanhas
situadas em regiões de baixa
latitude. Surgimento da
geografia moderna. Humboldt lançou
as bases da geografia moderna,
com ênfase na observação
direta e nas medições acuradas
como base para leis gerais.
Immanuel
Kant
Definiu satisfatoriamente o lugar
da geografia entre as diferentes
disciplinas: afirmou que a
geografia lida com os fenômenos
associados no espaço da mesma
forma que a história lida com os
fatos que ocorrem durante uma
mesma época. Foi Kant que
primeiro utilizou o termo "Geografia
Física" e que relacionou a
Geografia ao espaço e a Historia
ao tempo.
Tanto Kant quanto Humboldt
lecionaram geografia física e
foram contemporâneos de Carl
Ritter, que ocupou a primeira
cadeira de geografia criada numa
universidade moderna.
Ferdinand
Paul Wilhelm, barão de
Richthofen
Escreveu um monumental estudo de
cinco volumes sobre a geografia
chinesa e influenciou o
desenvolvimento da metodologia
geográfica na Alemanha e em
outros países.
Friedrich
Ratzel
Escreveu trabalhos pioneiros em
geografia humana e política.
Criador da antropogeografia, o geógrafo
e etnógrafo alemão é autor do
ensaio tido como ponto de partida
da geopolítica, no qual
introduziu o conceito de espaço
vital. Posteriormente, essa noção
foi distorcida pelo nazismo para
justificar suas pretensões
expansionistas. Apesar de admirar as concepções
evolucionistas de Darwin e Haeckel, Ratzel criticou-as pelo
mecanicismo. Expôs, em suas
obras Anthropogeographie (1882-1891;
Antropogeografia) e Politische
Geographie (1897; Geografia política),
os princípios de seu pensamento.
Na primeira, desenvolveu a tese
de uma relação causal entre as
características do meio-ambiente
natural e as realizações
humanas. Na segunda, estabeleceu
uma analogia biológica entre os
mecanismos de contração e
expansão dos países, ou seja, a
tendência dos povos a limitarem
ou ampliarem fronteiras segundo
as necessidades de espaço vital
(Lebensraum). Esse conceito, na
interpretação do cientista político
sueco Rudolf Kiellén, foi usado
como justificativa para o
expansionismo nazista do III
Reich.
Paul Vidal de
La Blache
Foi um dos principais responsáveis
pelo surgimento da geografia
moderna na França. Deve-se a ele
a definição do campo da
geografia regional, com ênfase
no estudo de áreas pequenas e
relativamente homogêneas. Foi o
primeiro professor de geografia
da Sorbonne e planejou uma obra
monumental, que cobria a
geografia regional em todo o
mundo, mas não viveu o bastante
para concluí-la. Géographie
universelle (1927-1948) foi
completada por seu aluno Lucien
Gallois e é uma das mais bem-sucedidas
publicações sobre o tema.
3- Disciplinas da
Geografia Moderna
Quanto a
seu objeto
de estudo, a geografia mantém muitas afinidades
com outras ciências, como a meteorologia, a
geologia, a biologia, a economia, a sociologia e
a história. Apresenta, além disso, pontos em
comum com a psicologia, a filosofia e a
teologia, já que tanto as idéias como os fatos
humanos se manifestam espacialmente. A ecologia
é a ciência mais afim com a geografia, e
chegou-se até a definir essa última como
ecologia humana. Não obstante, uma grande
diferença as separa, já que a primeira se
encarrega do estudo do ecossistema, entendido
como unidade funcional dos seres vivos e do meio
a sua volta, enquanto a segunda estuda e
interpreta a distribuição espacial dos
ecossistemas.
A semelhança com outras ciências
levou muitos a considerarem a
geografia como uma soma de
elementos que individualmente
pertenceriam a outras ciências.
Contudo, o caráter de síntese e
a busca da interação entre os
fenômenos que conformam a
realidade terrestre outorgam à
geografia características próprias.
A geografia se divide em campos
sistemáticos e especializações
regionais, que podem ser reunidas
em três grupos principais:
geografia física, geografia
humana e geografia regional.
Geografia física. As
principais atividades do geógrafo
físico -- observação, medição
e descrição da superfície da
Terra -- são os aspectos da
geografia geral mais perceptíveis
ao não especialista. A crescente
complexidade das questões geográficas,
porém, exigiu uma progressiva
especialização, o que deu
margem à criação de novas
disciplinas, como ocorreu com a
geomorfologia, a climatologia, a
biogeografia e a geografia dos
solos, ramos da geografia física.
Com o aumento da capacidade
humana de alterar as paisagens e
a ecologia mundial, dois novos
ramos surgiram: o manejo de
recursos e estudos ambientais.
Os temas do manejo
de recursos e dos estudos
ambientais são de especial
interesse para os geógrafos,
pois envolvem tanto sistemas físicos
quanto biológicos, por um lado,
e sistemas humanos, por outro, e
todos eles têm relações específicas
com o espaço que ocupam. O
manejo de recursos tende a
direcionar a utilização dos
recursos naturais em benefício
da humanidade, geralmente com
exploração sustentada ou
planejamento de longo prazo,
como, por exemplo, no uso de
recursos aquáticos de um curso
d'água para múltiplas
finalidades (energia, irrigação
e lazer).
Os estudos ambientais abordam a
ameaça imposta a animais e
vegetais pela atividade humana; a
degradação da atmosfera, da
hidrosfera e da litosfera por
poluição de muitos tipos; e a
combinação desses dois
aspectos, como ocorre no caso da
chuva ácida resultante da produção
de energia a partir de
hidrocarbonetos, e no caso da
redução da camada de ozônio
pelo uso de clorofluorcarbonos.
Em todos esses estudos os geógrafos
levam em conta tecnologias
alternativas, custos, impactos
sobre outros sistemas, políticas
alternativas e distribuição
espacial do benefício ou do
problema.
Geografia humana.
Um dos
problemas centrais da geografia
humana é explicar a distribuição
e as características dos povos --
área de estudo específica da
geografia das populações. Essa
distribuição, porém, somente
pode ser compreendida quando se
presta atenção à forma como os
povos satisfazem suas
necessidades e garantem sua
subsistência; a seus valores
culturais e sociais, ferramentas
e organização, que são os
campos de estudo da geografia
cultural e social; à forma como
se concentram em cidades e áreas
metropolitanas, objeto da
geografia urbana; a sua organização
política, estudada pela
geografia política; a sua saúde
e às doenças que os afetam,
campo da geografia médica; e à
evolução de seus hábitos, matéria
da geografia histórica.
Geografia das populações.
No estudo da distribuição da
população, a geografia das
populações leva em conta várias
características, como
crescimento, quantidade,
densidade, idade, sexo,
fertilidade, mortalidade,
crescimento natural e ocupação;
divisão em grupos rurais e
urbanos, étnicos, lingüísticos
ou religiosos; e migrações. Em
geral, os geógrafos não se
contentam com médias nacionais,
que freqüentemente encobrem
fortes contrastes regionais. Em
lugar disso, tentam medir e
descrever variações regionais e
locais. Em algumas regiões, por
exemplo, a população aumenta,
enquanto em outras declina, e
essas variações são quase
sempre acompanhadas de fluxos
migratórios substanciais.
Alguns estudos geográficos
abordam a distribuição
espacial, a mobilidade espacial,
ou a diversidade espacial em relação
ao meio ambiente e aos recursos,
freqüentemente representados nos
mapas. Outros estudos se
preocupam mais com fertilidade,
mortalidade, crescimento
populacional e previsões
apoiadas em modelos demográficos.
Outros ainda abordam questões de
política populacional.
Geografia econômica.
O
conhecimento do modo como as
pessoas garantem sua sobrevivência
em termos econômicos é básico
para a compreensão da distribuição
da população. É de especial
interesse geográfico a localização
da atividade econômica em sua
evolução histórica dentro de
contextos culturais e tecnológicos
específicos, baseada em combinações
particulares de recursos físicos,
biológicos e humanos, condições
econômicas e políticas, bem
como de ligações e movimentos
inter-regionais. Por exemplo, no
estudo do surgimento de centros
metalúrgicos de um país, é
preciso considerar não apenas a
localização e disponibilidade
das matérias-primas, mas também
fatores como a disponibilidade,
qualificação e custo da mão-de-obra;
distâncias e custos de distribuição
para os mercados; custos de
implantação; e até mesmo mudanças
nas taxas de câmbio dos países
competidores, entre outros
fatores.
Geografia cultural e social.
Cinco temas principais
caracterizam a geografia cultural:
cultura, área cultural, paisagem
cultural, história cultural e
ecologia cultural. O primeiro
deles refere-se à distribuição
no espaço e no tempo de culturas
e dos elementos da cultura, como
artefatos e ferramentas, técnicas,
atitudes, costumes, línguas e
crenças religiosas. A área
cultural diz respeito aos
complexos culturais em sua
organização espacial e a paisagem
cultural aborda a associação de
características humanas, biológicas
e físicas sobre a superfície da
Terra (especialmente as que são
visualmente perceptíveis),
alteradas ou não pela ação
humana. Esse campo tende a
concentrar seus estudos nas
sociedades tradicionais, e sua
principal preocupação tem sido
os aspectos espaciais dos grupos
minoritários, como mulheres,
idosos e pobres.
Geografia urbana.
Bem mais
abrangente que a geografia
cultural, a geografia urbana é
um campo de grande importância
em nações com economias mais
desenvolvidas e altos níveis de
urbanização, como os países da
Europa ocidental e da América do
Norte, a Austrália e o Japão.
Entre outros tópicos, estuda os
fatores que influenciam a
localização de determinadas
cidades, sistemas urbanos,
diferenças regionais em urbanização,
expansão de áreas
metropolitanas, problemas sociais
e habitacionais etc.
Geografia política.
Os
estudos de geografia política em
nível internacional se
concentram na organização do
mundo em estados; nas alianças
regionais entre países, de um
lado, e sua subdivisão político-administrativa,
de outro; na delimitação e
demarcação de fronteiras; na
escolha de locais para as
capitais etc. Em nível nacional,
estuda movimentos separatistas e
distribuição dos votos conforme
interesses regionais, entre
outros temas.
Geografia médica.
Três tipos diferentes de estudos
estão incluídos sob a
especialidade da geografia médica.
Um deles é o estudo da difusão
de doenças infecciosas a partir
dos centros de ocorrência, que
incluem o mapeamento da distribuição
de determinada doença. Em
segundo lugar estão os estudos
da relação entre desnutrição
e problemas médicos. O terceiro
campo inclui as pesquisas sobre
disponibilidade de serviços médicos
e sua distribuição ótima.
Geografia histórica.
A
geografia de épocas passadas e
suas mudanças ao longo do tempo
é o tema da geografia histórica.
O primeiro aspecto analisado é o
estudo horizontal dos padrões
apresentados em épocas específicas;
o outro é a análise vertical do
processo de mudança ao longo do
tempo. Esse campo cresceu muito
na segunda metade do século XX.
Geografia regional.
Em
contraste com os campos sistemáticos
da geografia, que enfocam
categorias particulares de fenômenos,
na forma como se distribuem pelo
globo, a geografia regional
estuda as associações regionais
de todos ou alguns desses
elementos e, especialmente, sua
evolução histórica. Trata-se
de uma abordagem relativamente
recente -- os trabalhos pioneiros
nesse campo datam do fim do século
XIX e início do século XX -- à
qual muitos geógrafos têm se
dedicado, mas que algumas vezes
apresenta-se como claramente
subordinada a outros campos da
geografia sistemática. Uma das
questões metodológicas a
superar é a forma como o mundo
deve ser dividido do ponto de
vista da geografia regional. A
divisão em continentes foi
adotada por algum tempo. Mais
recentemente, contudo, as regiões
com semelhanças culturais
ganharam maior reconhecimento,
como por exemplo América Latina,
Oriente Médio, Mediterrâneo etc.
A divisão em função de fatores
climáticos ou de vegetação
podem ser muito úteis em alguns
casos, uma vez que estão
estreitamente ligadas ao tipo de
agricultura praticado e demais
atividades humanas.
4-
Cartografia & Escalas
Mecartor Norte/Sul - 1538
A
manutenção da rota de um avião ou navio, a
análise e definição
de estratégias militares de ataque
e defesa, a localização de jazidas e possíveis
vias de acesso, ou a simples orientação
rodoviária numa viagem de turismo, todas essas
atividades exigem mapas específicos com
diferentes objetivos e usuários. É este o campo
da cartografia.
Dá-se o nome de
cartografia à ciência de
preparar cartas, mapas e planos
para os mais variados fins, com
diversos níveis de complexidade
e informação, baseados em
elementos científicos, técnicos
e artísticos de extremo apuro,
tendo por base os resultados da
observação direta ou da análise
de documentos. As ciências mais
afins à cartografia são a
geografia e a geodésia.
Entende-se por mapa a representação
gráfica convencional, geralmente
plana e em pequena escala, de áreas
relativamente extensas, como
acontece nos mapas murais e os
Atlas. Para tal, são utilizados
diversos sistemas de projeção,
estabelecidos matematicamente. As
cartas diferem dos mapas pela
representação gráfica em
grande escala, enquanto que os
planos são cartas que
representam áreas relativamente
pequenas, o que permite desprezar
a curvatura e adotar escala
constante.
Escala é a relação
estabelecida entre a representação
do fenômeno no mapa e sua
verdadeira dimensão. A escala 1:1.000.000
significa que cada medida linear
do espaço real está reduzida,
no mapa, à milionésima parte (1km
= 1mm). O plano, que representa
áreas menores, geralmente
trabalha com a escala 1:500 ou 1:50.000.
O principal problema da
cartografia é a projeção da
superfície curva da Terra sobre
uma superfície plana, o que
necessariamente provoca alterações
nos ângulos e linhas definidos
pelas coordenadas geográficas.
Divisões
da cartografia. Três são as
divisões básicas da cartografia:
(1) cartografia topográfica,
topocartografia ou cartografia
original; (2) cartografia geográfica
ou geocartografia; (3)
cartografia temática ou
cartografia aplicada.
Cartografia
topográfica.
Vinculada à geodésia, a
cartografia topográfica dedica-se
à transformação direta das
medidas e fotografias, obtidas
pelos levantamentos de campo, em
desenho manual ou pelos
levantamentos fotográficos. É
quase exclusivamente praticada em
instituições governamentais que
se dedicam à execução da carta
de um país. Trabalho permanente,
de contínuo aperfeiçoamento e
pormenorização, passou a ser
indispensável à tomada de decisões
da administração pública e à
defesa do território nacional.
Com o emprego de escalas
pequenas, produzem-se mapas
detalhados, matematicamente
corretos e que servem de base
para outros menos detalhados.
O uso de imagens
estereoscópicas nos
levantamentos aerofotogramétricos
simplificou o desenho cartográfico,
tornando-o de mais rápida execução
e menos dependente do esforço
individual. A aerofotogrametria
constitui um método de medida e
representação do terreno por
meio da fotografia aérea, que é
uma perspectiva cônica do
terreno. As deformações ópticas
desse tipo de foto são
corrigidas no momento da
fotografia ou em laboratório.
Por si só, no entanto, a
aerofotogrametria não reduziu os
levantamentos de campo, e ainda
necessita de apoio terrestre,
plenimétrico e altimétrico.
A carta topográfica é, em
regra, constituída por numerosas
folhas topográficas conexas. São
muito utilizadas em atividades
profissionais de alto nível
ligadas à engenharia, à navegação,
à estratégia e à logística
militar etc.
Cartografia
geográfica.
Quase exclusivamente praticada
por empresas privadas, algumas de
elevado padrão técnico, a cartografia geográfica opera em íntima conexão com a geografia,
produzindo peças cartográficas
para uso do público em geral,
sobretudo estudantes. A geocartografia trabalha a partir
da cartografia topográfica,
reduzindo escalas, simplificando
conteúdos nas minúcias topográficas
e generalizando alguns dos
aspectos do desenho.
Mapas murais ou em coleção (Atlas),
mapas avulsos, plantas de
cidades, globos e cartas em
relevo são alguns dos produtos
comerciais oriundos da
cartografia geográfica. O nome
Atlas deve-se ao fato de, em 1595,
na folha de ante-rosto da coleção
de mapas de Gerardus Mercator (publicada
por iniciativa de seu filho
Rumold), aparecer como ilustração
de abertura o titã Atlas,
condenado por Zeus a carregar os
céus sobre os ombros.
Cartografia
temática.
A confecção de
cartogramas é a área da
cartografia temática.
Cartogramas são mapas esquemáticos, com elevado nível de abstração,
em que formas ou localizações
reais são estilizadas com fins
conceituais e informativos. Os
elementos cartográficos,
reunidos numa só folha, são
representações gráficas de fenômenos
espaciais e temporais, pelo que
abordam numerosos assuntos quase
sempre em mutação contínua,
como as migrações, fluxos de veículos,
desmatamento, reflorestamento etc.
O mapa esquemático que serve de
base para o cartograma é extraído
do mapa topográfico ou geográfico,
sendo o tema do cartograma
exposto mediante diversos
recursos gráficos, como pontos e
figuras, quando é chamado de
pictórico. Nessa modalidade, o
ponto como figura geométrica é
adimensional, isto é, seu
tamanho nada representa e só
vale como material de leitura. Além
de pontos, usam-se barras e
faixas que indicam extensões
lineares ou, pela espessura, a
importância do fenômeno. Outro
tipo é o cartograma de
isocurvas, em que as curvas ou
linhas representam, pela posição,
valores equivalentes em toda a
sua extensão.
Outras espécies de cartogramas:
os de superfície,
bidimensionais, recomendados para
indicar as variações de
determinados fenômenos por meio
do uso de áreas sombreadas ou
coloridas; cartogramas de aparência
tridimensional, também
denominados blocos-diagramas, em
que os fatos são expostos em
perspectiva, exibindo-se o mapa
esquemático.
História
Amostras de primitivos trabalhos
cartográficos encontradas em
pedras, papiros, metais e peles
representam o meio ambiente e a
situação das terras por meio de
figuras e símbolos. Usaram-se,
ainda, varas de bambu, madeira,
tecido de algodão ou cânhamo,
fibras de palmeira e conchas.
O Museu Semítico da
Universidade de Harvard, em
Cambridge, Estados Unidos, possui
um mapa de origem ainda mais
remota; gravado em pedra
argilosa, foi achado na região
mesopotâmica de Ga-Sur e parece
datar de 2500 a 3000 a.C. Outro
trabalho de cartografia muito
antigo (c.2000 a.C.), desenhado
em rocha, foi localizado numa
região do norte da Itália,
habitada outrora por um povo
denominado camunos (camuni) pelos
romanos. O Museu de Turim, na Itália,
conserva a planta, desenhada em
papiro, de uma mina de ouro da Núbia,
na África, que data da época de
Ramsés II do Egito (1304-c.1237
a.C.).
Coube aos gregos os primeiros
fundamentos da geografia e das
normas cartográficas, e ainda
hoje os alicerces do sistema
cartográfico repousam na
contribuição que deixaram: a
concepção da esfericidade da
Terra e as noções de pólos,
equador e trópicos; as primeiras
medições da circunferência
terrestre; a idealização dos
primeiros sistemas de projeções
e concepção de longitude e
latitude. Na antiguidade grega,
Anaximandro de Mileto (século VI
a.C.) construiu um quadrante
solar e possuía um mapa-múndi
gravado em pedra.
Ainda na Grécia antiga,
Hecateu de Mileto representou a
Terra sobre um disco metálico,
Êudoxo de Cnido construiu um
globo e Dicearco de Messênia
desenhou um mapa-múndi em projeção
plano-quadrada. No século III a.C.,
Eratóstenes de Cirena, que
dirigiu a célebre biblioteca de
Alexandria, desenhou um mapa-múndi
com paralelos e meridianos, tendo
ainda calculado, com
impressionante precisão, em
vista da precariedade dos
recursos da época, a circunferência
da Terra.
O grande nome da antiguidade,
todavia, é Ptolomeu, que viveu
no século II de nossa era. Astrônomo,
geógrafo e cartógrafo, ele lançou
as bases da geografia matemática
e da cartografia no clássico
tratado intitulado Guia da
geografia (Geographiké
hyphegesis), obra que só em 1405,
com a tradução para o latim,
chegou ao conhecimento dos
eruditos europeus.
A era clássica romana não
deixou mapas, embora haja
registros literários de mapas
elaborados em Roma. Varrão (Marcus
Terentius Varro) menciona mapas
no poema Chorographia e Agripa
determinou a confecção de um
mapa do mundo então conhecido.
Das obras cartográficas romanas
só se conhece a célebre Tábua
de Peutinger, cópia, feita em
1265, de um original romano que
sofreu sucessivos acréscimos até
o século IX. Descoberta em 1494
pelo poeta Conradus Pickel (ou
Celtis), que a legou a Konrad Peutinger, essa tábua somente
veio a ser publicada em 1598.
Encontra-se, desde 1738, na
Biblioteca Pública de Viena.
Trata-se de uma carta das
estradas do Império Romano, com
as cidades e as distâncias que
as separam, e representa o mundo
até a costa índica.
Idade Média.
Entre as autoridades e autores
medievais persistiram concepções
gregas como a de estar a Terra
pousada sobre um disco metálico.
Ao mesmo tempo, as invasões dos
bárbaros provocaram a estagnação
da produção cartográfica e
esta ficou sob exclusivo domínio
de copistas eclesiásticos, que
valorizaram o aspecto artístico
em detrimento da exatidão. O
disco metálico sobre o qual se
considerava estar a Terra levou
à elaboração de mapas
circulares, orientados para leste
ou sul, e com os continentes
representados de forma esquemática.
As separações entre as terras
lembravam a letra T, donde serem
conhecidos como "mapas T-O",
"mapas de roda" ou
"mapas circulares".
No primeiro período da Idade Média,
destaca-se o mapa T-O de santo
Isidoro de Sevilha. Dentre as
centenas de mapas T-O incluídos
nos 600 mapas-múndi medievais
que se conservaram, avultam o
mapa retangular de Cosmas
Indikopleustes, do século VI, e
as numerosas cópias dos mapas de
são Beato, das quais a de são
Severo, do ano 1030 e de
forma oval, é a mais conhecida.
Na mesma época, a cartografia árabe
experimentava marcante progresso.
No ano de 827, o califa al-Mamum
ordenou a tradução da Geografia
de Ptolomeu para o árabe. Bagdá,
Damasco e Córdoba, os centros
culturais de então, reuniram geógrafos
e cartógrafos estimulados pelo
intenso comércio a se expandir
do Mediterrâneo até a China.
Foram autores de mapas Ibn
Hawkal, Abu Isak Istakhri e Maomé
al-Edrisi. Ibn Hula construiu um
globo terrestre. O rei Rogério
II, da Sicília, foi grande
incentivador desse movimento, e a
ele al-Idrisi dedicou sua compilação
geográfica, que possuía um mapa-múndi
dividido em setenta folhas.
As cruzadas e o comércio marítimo,
em especial o italiano,
impulsionaram a confecção de
cartas náuticas, mapas marítimos
desenhados sobre pergaminho.
Impropriamente chamados de
portulanos, tinham como característica
principal o desenho da rosa-dos-ventos
que ocupava todo o espaço do mar:
resultava daí um conjunto de
retas entrecruzadas que
facilitava a fixação da rota
por parte do navegador.
Destacam-se também nessa época
as Tábuas Toledanas, de Toledo,
Espanha, completadas em 1252
por ordem de Alfonso X (1221-1284),
rei de Castela, razão por que
também são conhecidas como Tábuas
Alfonsinas.
Nesse período de grande efervescência
científica e cultural, são
fundadas escolas de cartografia
em Gênova, Veneza e Ancona, na
Itália, bem como em Palma de
Maiorca, no arquipélago das
Baleares, Espanha, que logo
assumiram o papel de principais
fornecedores de mapas marítimos.
Exemplo significativo da produção
desses centros cartográficos é
o Atlas catalão, de 1375,
organizado por ordem de Carlos V
o Sábio, rei da França.
Monumento artístico, tem oito
folhas e o mapa, de 390cm x 69cm,
é de autoria de Jaime de Maiorca
(Jafuda Creques). Em conformidade
com o sistema corporativo vigente
à época, a cartografia, em sua
produção e comércio, ficou
associada a diversas famílias,
que conservavam entre si certos
segredos de ordem técnica.
O ciclo das grandes navegações
exigiu maior exatidão e ampliação
das informações cartográficas.
Ainda no século XV, em Sagres,
Portugal, o infante D. Henrique -
entre outros especialistas -
reuniu geógrafos, astrônomos e
cartógrafos de diferentes países,
e no século seguinte Portugal já
contava com grandes cartógrafos
como Lopo Homem, André Homem,
Diogo Ribeiro, Gaspar Viegas,
Bartolomeu Velho e Fernão Vaz
Dourado. Em 1508, em Sevilha, na
Espanha, a Casa de la Contratación
de las Índias instalou um órgão
fiscalizador da produção e comércio
de mapas para a navegação. O
mapa-múndi Orbis typus
universalis tabula (1512), do
veneziano Jerônimo Marini, é o
primeiro em que se registra o
nome Brasil.
Já na segunda metade do século
XVI apareceram os primeiros mapas
impressos em xilografia ou que
empregavam gravações em chapas
de cobre. O século XVII assistiu
ao apogeu da cartografia nos Países
Baixos, especialmente nas cidades
de Antuérpia e Amsterdã. Esse
progresso deve-se a cartógrafos
como Abraham Ortelius, Jodocus
Hondius e, sobretudo, a Gerardus
Mercator, forma latinizada de
Gerhard Kremer (mercador). Deve-se
a Ortelius o Theatrum orbis
terrarum (1570), com 53 folhas
cartográficas e setenta mapas
gravados em cobre, o primeiro
Atlas nos moldes dos atuais.
Mercator criou a projeção que
leva seu nome, própria para
mapas náuticos, segundo a qual
os meridianos são os ângulos
retos aos paralelos de latitude.
Ainda nos Países Baixos, a família
Blaeu reuniu alguns dos maiores
nomes da época, como Guilielmus
Caesius ou Guilielmus Jansonius
Blaeu, Jan Blaeu e Cornelis Blaeu.
Ao declínio da cartografia
holandesa, acelerado pelo incêndio
nas instalações da família
Blaeu, seguiu-se a ascensão da
cartografia francesa, em que
sobressaem Guillaume Delisle e
Jean-Baptiste Bourguignon
d'Anville.
No século XVIII ganha corpo o
critério da exatidão como regra
cartográfica e nesse aspecto se
destaca o francês César-François
Cassini, devido a sua carta da
França, na escala 1:86.400, com
184 folhas. Pouco depois, Napoleão
Bonaparte mandou preparar o mapa
manuscrito de toda Europa, na
escala 1:100.000, com 254 folhas.
Viajantes, cientistas e
descobridores como James Cook,
que fez a carta da Nova Zelândia
e a da costa ocidental da Austrália,
e Alexander von Humboldt, cuja
obra Kosmos teve extrema importância
para a geocartografia, foram
grandes pioneiros nos
levantamentos de campo.
Nessa mesma época, ocorreram
dois outros acontecimentos de
grande significado para a ciência:
a medição do arco do meridiano
terrestre, iniciativa da Academia
de Ciências de Paris, com o fim
de dirimir as questões
suscitadas por Cassini e Isaac
Newton quanto à forma da Terra.
Newton estava certo: a Terra
tinha a forma de um elipsóide de
revolução, cujo eixo menor
coincidia com o eixo de rotação.
Convencionou-se adotá-lo, como
forma matemática correspondente
a um geóide médio, que serve de
referência para o cálculo das
operações geodésicas. Ao longo
do tempo, vários elipsóides de
revolução foram calculados,
sendo o de Hayford, em 1909, o
mais adotado.
Processos de reprodução. Até o
final do século XIX, a reprodução
de mapas dependia da gravação,
em uma só cor, em chapa de cobre
ou em chapas de madeira. Usava-se,
também, a litografia, com os
desenhos executados em pranchas
de pedra, mais tarde substituídas
pelo zinco e alumínio. Para
representar o relevo nas cartas
topográficas adotava-se o
sistema de hachuras de Lehmann,
baseado no meio-tom.
A evolução da cartografia
prosseguiu com uma série de
invenções e aperfeiçoamentos,
como a fotografia (e suas derivações,
como a fotometalografia e a
aerofotogrametria), a
heliogravura, a tricromia e a
policromia nos processos de
impressão, o sistema offset de
impressão, o processo fotomecânico
de Wenschow para a impressão de
sombras em relevo, e o desenho
automático do conteúdo pelo
estereoplanígrafo de Zeiss.
Simplificou-se o letreiramento
pela impressão tipográfica (método
conhecido como carimbagem) e pela
confecção mecânica (normógrafo),
chegando-se à prensa Van der
Cook, ao fotonimógrafo e outros
recursos cada vez mais
sofisticados, como o radar, o
sonar, sensores remotos,
computadores e satélites
artificiais, que tornaram a
coleta de dados e a reprodução
cada vez mais acurada.
Os mapas eram desenhados em
nanquim sobre papel, cujos
negativos, por processo fotomecânico
(photomechanical transfer),
geravam cópias positivas
mediante um processador de
transferência por difusão,
sendo em seguida transportados
para as pranchas de impressão,
em zinco. Antes de vidro, pesados
e frágeis, o suporte dos
negativos passou a ser de
material plástico diverso, à
base de resinas vinílicas, com várias
denominações comerciais, como
astralon ou vinilite.
Na atualidade, o original também
pode derivar de levantamentos
aerofotogramétricos, cujos
dados, com o auxílio de
instrumento óptico de precisão,
é passado para a folha plástica
transparente. Para esse trabalho,
utiliza-se um material plástico
chamado scribe (carrinho), dotado
de uma camada de verniz opaco.
Para cada cor (em impressão, as
cores primárias são o magenta,
o amarelo e o ciano, mais o
preto, que combinadas reproduzem
toda a variedade de cores), é
preciso um negativo próprio.
Convenções
e projeções

Para interpretar os mapas, é
preciso conhecer suas convenções,
que se baseiam em cores e se
dividem em cinco grandes grupos.
Assim, temos: (1) azul (hidrografia
ou acidentes aquáticos); (2)
preto ou vermelho (acidentes
artificiais, como rodovias); (3)
castanho (hipsografia, altimetria
ou formas de relevo); (4) verde (vegetação
e plantação); (5) roxo (convenções
especiais, como nas cartas aeronáuticas)
etc. Além disso, empregam-se
também numerosos sinais e símbolos
empregados. Visto que os mapas
recebem título, inscrições e
legenda, o próprio tamanho da
letra já é em si uma convenção
que possibilita ao leitor
determinar a importância
relativa do fenômeno observado.
As projeções cartográficas são
representações gráficas da
passagem do elipsóide para a
superfície plana do mapa em que
a rede de coordenadas geográficas
curvilíneas (meridianos e
paralelos) serve de base geométrica
para os mapas. Dependendo das
escalas, a projeção das
coordenadas geográficas
apresenta variações quanto à
forma e medida da rede. Nos mapas
em escala média ou grande, que
representam áreas menores, as
deformações são pequenas.
Inversamente, nos mapas em
pequenas escalas, que abrangem
grandes áreas, as deformações
são bem maiores. Visto que
sempre ocorre deformação, o
primeiro problema com que se
defronta o cartógrafo é a
determinação do sistema que
melhor corresponda à realidade
que se pretende representar.
As projeções podem ser: (1) eqüidistantes,
em que as distâncias são
verdadeiras em determinadas direções;
(2) eqüiangulares ou conformes,
exatas na representação de
superfícies: permitem medições
de ângulos e a determinação de
rumos; e (3) eqüiáreas ou
equivalentes, por proporcionarem
maior exatidão quanto às áreas.
As projeções medianas ou afiláticas
procuram representar as três
dimensões de maneira diferente,
a fim de alcançar a maior
semelhança possível na
configuração dos continentes e
dos oceanos.
Projeções geométricas. Quando
se leva em consideração a técnica
de transformação das
coordenadas curvilíneas em
planos, têm-se as coordenadas
geométricas, em que se imagina a
rede de meridianos e paralelos
projetada sobre uma superfície
que envolve ou tangencia o globo
terrestre. Nesse caso, preferem-se
as figuras geométricas que se
adequem à confecção de mapas:
o plano, o cone, o cilindro, o
cubo e o poliedro.
Na projeção cônica, os
paralelos são circulares e os
meridianos radiais, imaginando-se
que o cone, que envolve o globo
terrestre, o tangencia em um
determinado paralelo, ficando seu
vértice no prolongamento do eixo
da Terra. Desta forma, os
meridianos aparecem nos mapas
como linhas retas e os paralelos
como circunferências concêntricas.
Nas projeções cilíndricas, os
paralelos são dispostos
horizontalmente e os meridianos
se apresentam verticais e
igualmente espaçados. A projeção
azimutal é aquela em que o cone
se abre até se transformar num
plano, coincidindo seu vértice
com o ponto de tangência. As
projeções azimutais variam
conforme a posição do centro da
projeção em relação ao centro
da esfera terrestre: (1) central,
quando os dois centros se
confundem; (2) estereográfica,
quando o centro de projeção se
localiza em posição
diametralmente oposta ao ponto de
tangência; e (3) ortográfica,
quando se imagina o centro da
projeção localizado no infinito.
Esses três tipos de projeções
azimutais podem diferençar-se de
acordo com a posição do ponto
de tangência: (1) polar, quando
tangencia um dos pólos; (2)
equatorial, quando o ponto se
situa no equador; (3) meridiano
ou horizontal, quando tangencia
um ponto qualquer da superfície
do globo terrestre, exceto o
equador e os pólos.
A projeção cilíndrica é um
caso extremo de projeção cônica
no sentido contrário ao da hipótese
de um plano. Em se alongando o
cone de maneira tal que seu vértice
fique no infinito, chega-se a uma
posição em que o cone se
transforma em um cilindro e
tangencia o globo terrestre no
equador. Na projeção cilíndrica
dita genuína, obtém-se uma rede
de coordenadas em que os
meridianos aparecem como retas
paralelas, cortadas pelos
paralelos em ângulo reto. A
forte distorção nas altas
latitudes vizinhas às regiões
polares faz com que esse tipo de
projeção seja pouco empregado.
A fim de
evitar excessivas deformações
e, ao mesmo tempo, obter maior
exatidão, introduziram-se mudanças
como a projeção azimutal eqüidistante,
em que todas as distâncias que
partem do centro são conservadas
em escala, embora o ponto antipódico
se transforme em circunferência
marginal do mapa. A projeção cônica
de Bonne conserva a grandeza dos
paralelos e, portanto, a área
dos trapézios. São raros os
mapas feitos na projeção cúbica,
pois as coordenadas são
projetadas sobre suas seis faces,
donde a descontinuidade dos
meridianos e paralelos, cuja rede
se vê cortada e prejudica,
assim, a clareza.
A projeção poliédrica é a
projeção central feita sobre
trapézios esféricos, os quais
correspondem a um poliedro que,
por hipótese, envolve o globo
terrestre. Assim, quando cada
trapézio - incluído numa folha
topográfica - não ultrapassa um
grau de latitude e de longitude,
deixam de existir deformações
perceptíveis, tornando possível
obter medidas em todos os
sentidos, dentro dos limites de
cada folha topográfica.
Projeções convencionais.
Empregadas na preparação de
mapas que abrangem grandes áreas,
as projeções convencionais são
comuns nos planisférios e nos
mapas-múndi. Utilizam, para a
construção da rede de
coordenadas, grandezas geodésicas
aplicadas conforme as regras do
desenho sistemático.
São diversos os tipos de projeções
convencionais: (1) trapezoidal,
criada por Cláudio Ptolomeu no século
II, em que os meridianos aparecem
como retas que convergem para os
pólos, enquanto que os paralelos
são retas paralelas ao equador;
(2) globular, criada por Giovan
Battista Nicolosi em 1660, que
representa os hemisférios, por
ser de forma circular; (3)
pseudocilíndrica, de Sanson (1650),
usada na construção de planisférios
ou na representação de grandes
áreas; (4) mista elíptica, de
Max Eckert (1908); (5) mista, de
O. Winkel (1913), muito usada em
Atlas; (6) descontínua, de John
Paul Goode (1916), que representa
um planisfério cortado ao longo
de determinados meridianos, com o
objetivo de deformar o mínimo
possível as massas continentais
oceânicas; (7) oblíqua nórdica,
de John Bartholomew (1949).
A projeção transversal, criada
por Cassini em 1682 e modificada
por Gauss-Krüger em 1900, é
ainda utilizada em muitos países.
Ao separar a superfície
terrestre em faixas, ao longo de
meridianos escolhidos, e com
largura máxima de três graus de
longitude, a carta topográfica
nela baseada não contém
praticamente nenhuma deformação
perceptível, podendo ser mensurável
em suas distâncias, rumos e áreas.
Usada desde o século XVI, a
projeção de Mercator, também
chamada carta marítima, é de
ampla utilidade, pois permite traçar,
em linha reta, a rota a seguir
durante a travessia dos oceanos.
É uma projeção cilíndrica
modificada, em que os meridianos
são retas paralelas entre si,
que cortam perpendicularmente o
equador e todos os paralelos.
Uma linha oblíqua corta os
meridianos sempre sob o mesmo ângulo,
o que permite a manutenção do
rumo. A isso se dá o nome de
loxodromia, curva espiralada que
não é o caminho mais curto
entre dois pontos situados à
superfície da Terra, porém o
mais simples para a navegação.
No que se refere aos planisférios,
essa não é a projeção mais
aconselhável, face às deformações
que apresenta pois, à proporção
que se afasta do equador e
aumentam as latitudes, mais
exageradas se vão tornando as
deformações, que atingem o máximo
nas regiões polares.
Escalas
A escala cartográfica é a relação
matemática entre as distâncias
traçadas em um mapa e as
existentes na natureza. O mapa é
a representação geométrica,
sobre um plano, de uma porção
de superfície terrestre. Uma vez
fornecidos os dados necessários
pela geodésia (distâncias, direções
e relevo), tais valores são
reproduzidos em mapa por meio de
desenho, o qual mantém a relação
constante e rigorosa entre as
distâncias traçadas no mapa e
as extensões correspondentes na
natureza. Para isso, usam-se
escalas.
A indicação da escala de um
mapa é direta quando feita junto
à legenda, por expressão numérica
ou gráfica, e indireta, quando
essa mesma relação é
estabelecida por elementos de
grandeza conhecida. As escalas
podem ser: (1) numéricas; (2) gráficas;
(3) de declividades; e (4) de
cores.
Escala numérica. Expressa por
fração (1/2.000) ou por razão
(1:2.000), a escala numérica
significa, de acordo com o
exemplo, que a unidade de
comprimento, no numerador, ou no
primeiro membro, vale duas mil
vezes essa mesma unidade no
terreno. Para tanto, é preciso
conhecer o valor em metros,
correspondente a um centímetro
ou um milímetro da régua
graduada aplicada sobre o mapa.
Basta cortar as duas ou três últimas
casas do denominador dentro da
razão. Exemplo: 1/2.000 indica
que um milímetro da régua
corresponde a dois metros no
terreno.
As escalas numéricas podem
representar relações típicas
pela simples variação dos
valores expressos: a indicação
10/1 ou 10:1 é uma escala de
maior proporção, indicando que
a medida sobre o desenho ou
fotografia é dez vezes o tamanho
do objeto. Já a indicação 1/1
ou 1:1 é a escala natural, em
que a medida do desenho é igual
à do objeto representado "em
tamanho natural". Por fim, a
indicação 1/10 ou 1:10 é a uma
escala de menor proporção, do
tipo usado na confecção de
mapas.
Não é costume utilizar uma
escala numérica de superfície
para a avaliação de áreas em
mapas. Mas, se for usada, deve-se
saber que a escala de superfície
de um mapa é a escala linear ao
quadrado. Exemplo: 1:5.000 linear
é 1:5.0002 de superfície, isto
é, um quadrado no mapa
representa 25 milhões de
quadrados idênticos no terreno.
A escala numérica para altitudes
seria a escala linear do mapa.
Mas, como o relevo (a terceira
dimensão) é imensurável no
mapa, por ser apenas figurado por
meios gráficos, o processo torna-se
inaplicável. Assim, em plantas e
cartas topográficas encontra-se
por vezes, junto à legenda
expressa em números, a indicação
da eqüidistância das curvas de
nível, o que permite avaliar
facilmente altitudes e declives.
Escala gráfica. As escalas gráficas
exprimem com desenho a relação
mapa-natureza e, com freqüência,
são empregadas junto com a
escala numérica. Sua vantagem
decorre da fácil e imediata
leitura, o que permite a
determinação da distância por
comparação ao longo da escala
desenhada, obtendo-se o resultado
rapidamente, sem necessidade de cálculo.
Vantagem adicional da escala gráfica
é o fato de acompanhar as
eventuais reduções ou ampliações
do mapa, conservando a razão da
escala, o que não ocorre com a
escala numérica.
A escala gráfica simples é uma
reta dividida em unidades na razão
da escala. Gradua-se a reta, a
partir do ponto zero, com uma
unidade básica maior para a
esquerda, e para a direita marca-se
a mesma unidade básica maior
tantas vezes quantas forem
suficientes. A unidade da
esquerda chama-se talão ou
extensão e acha-se subdividida
em unidades menores.
Nas escalas gráficas, o
resultado depende do cuidado e prática
da operação de leitura e, esta,
da finura da graduação. Nas
cartas topográficas,
especialmente as elaboradas pelas
forças armadas, encontra-se uma
escala gráfica pertencente à
classe das escalas de conversão
ou binárias. É a escala de
passos que, de um lado da reta,
tem uma graduação métrica e,
do outro, uma graduação em
unidades de passos. A posição
oposta das duas graduações ao
longo da meta permite avaliar o número
de metros para determinado número
de passos e vice-versa. A distância
conhecida é tomada numa tira de
papel ou no compasso de ponta-seca
e lê-se o valor correspondente
em unidades da escala oposta ao
longo do tronco e do talão, da
mesma maneira como se procede com
a escala gráfica simples.
Outro tipo
de escala gráfica é o da
composta ou de deformações. A
projeção cartográfica
empregada na construção da rede
de coordenadas geográficas (meridianos
e paralelos) no plano provoca
deformações lineares nos mapas
geográficos. A escala composta
é apresentada num conjunto em
que são indicadas com exatidão
as escalas de latitudes
escolhidas, a primeira relativa
ao equador. A ligação dos
valores iguais das graduações
das escalas forma uma série de
curvas que permitem determinar
graficamente o valor de distâncias
em qualquer latitude.
Nos Atlas escolares empregam-se
figuras geométricas, como o
quadrado da área conhecida,
desenhada, na escala linear, num
canto do mapa. É costume incluir
nos mapas de origem européia o
desenho esquemático do próprio
país, na escala do mapa, o que
permite obter imediata idéia da
grandeza de outras terras
mediante simples comparação
visual.
Escala
de declividades.
Dá-se o nome de escala de
declividades àquela que permite
medir inclinações das vertentes
e rampas das vias quando o relevo
é representado por curvas de nível,
hachuras ou esbatidos. Tal
escala, que envolve a terceira
dimensão, é elaborada com retas
graduadas de maneira progressiva
e em que os espaços marcados
contam sempre a partir da origem.
Lê-se o valor mais próximo da
escala entre curvas consecutivas
e, se for necessário obter
valores mais precisos, interpolam-se
as diferenças por estimativa. A
graduação das escalas de
declividades pode ser percentual
ou angular. Uma dada escala só
serve para determinada escala
linear e determinada eqüidistância
de curvas de nível.
Escalas de cores. Usadas para a
representação do relevo nos
mapas, empregam-se escalas de
cores que, conforme certas
regras, indicam as zonas de
altitude e depressão. Em geral
colocadas junto às legendas,
essas escalas designam com cores
diferentes a altitude dos planos
horizontais ou as curvas que
limitam tais zonas.
Cálculo da escala. Quando, por
qualquer motivo, desapareceu a
legenda e, assim, não se conhece
a escala, o próprio conteúdo do
mapa conta com elementos de
grandezas conhecidas que
permitem, indiretamente,
determinar a escala, seja numérica
ou gráfica. A rede de
coordenadas geográficas é um
destes, pois sua malha fornece a
base para o cálculo ou a construção
da escala, sabendo-se que um grau
de latitude, ao longo de qualquer
meridiano, equivale a 111km.
Medindo-se com a régua o espaço
entre dois paralelos, pode-se
determinar a relação entre a
grandeza do grau e sua medida
sobre o mapa.
Nas folhas topográficas das
cartas oficiais, é costume
apresentar, além da rede de
coordenadas geográficas, um
sistema de quadriculagem quilométrica
que se estende de maneira contínua
sobre as folhas, indicando a
grandeza linear de um quilômetro,
o que é um recurso empregado
para a avaliação de distâncias
e áreas sobre as cartas.
Já nas cartas náuticas, construídas
pela projeção de Mercator, nota-se,
em toda a moldura, uma graduação
em unidades de arco, que serve
principalmente para a determinação
da posição dos navios: em
latitude, pelas duas graduações
laterais e, em longitude, pela
graduação das margens inferior
e superior. Isso torna-se possível
porque as graduações laterais,
que se referem à latitude, não
são igualmente espaçadas em
suas unidades, visto que se
alongam no sentido do equador
para os pólos. Sabendo-se que as
grandezas angulares das escalas
laterais representam valores
lineares constantes, é possível
avaliarem-se distâncias nesses
mapas náuticos.
Para isso, marca-se, sobre a
divisão sexagesimal lateral, a
extensão tomada no mapa entre os
dois pontos em questão, de
maneira a fazer coincidir o ponto
médio dessa medida com o ponto
da média das latitudes dos dois
lugares. Os extremos dessa extensão
indicarão, sobre a graduação,
a distância procurada em medida
de arco, que por meio dos
coeficientes conhecidos pode ser
transformada em medida linear métrica
ou de outro sistema.
Indiretamente, portanto, avaliam-se
as distâncias lineares em mapas
de projeção eqüiangular ou
conforme, mediante a graduação
lateral.
Cartografia
e comunicação
Seria redundante afirmar que o
mapa é uma imagem, se esta não
tivesse passado a ser tão
valorizada como modo de expressão
ao longo de todo o século XX.
Com a adoção de convenções
simbólicas como cores, traços,
emblemas, números etc., o mapa
deve ser suficiente como tal,
isto é, como representação
portátil e eficaz de uma dada
realidade, capaz, assim, de
servir de base para a evocação,
o raciocínio ou o projeto de
qualquer espécie, dos mais
amenos, como uma viagem turística,
até os mais dramáticos, como a
invasão de um país.
Essas qualidades colocam o mapa,
a carta e todos os outros meios
da cartografia no domínio das
estruturas lingüísticas, uma
vez que também são meios de
comunicação, isto é,
configuram uma linguagem. Seja
como suporte à verificação
pessoal ou como meio de expressão
dessa pesquisa e das conclusões
a que leva, permite sempre um diálogo
entre autor e leitor ou autor e público,
que para isso mobiliza estruturas
sociais e psicológicas. Do
correto emprego destas depende a
resposta dos consulentes: de um
lado, há o sistema de relações
e interesses que congrega autor-cartógrafo-editor-impressor-divulgador-público
e, de outro, os meios pelos quais
se unem com tais objetivos várias
técnicas de desenho, recursos de
pensamento e recursos gráficos,
assim como noções de psicologia
aplicada à percepção visual e
indispensáveis à comunicação
da mensagem cartográfica.
Ainda que
resultante da intenção de
visualizar as informações, o
mapa requer grande atenção do
interessado em sua leitura
bidimensional, menos comum que a
linear, e de menor rapidez.
Assim, para ser aceito e adotado,
deve oferecer ao usuário uma
forma de expressão que lhe
permita economia do esforço
mental em relação a outros
meios de informação, e ainda
atrativos que lhe atinjam tanto
os mecanismos da consciência
como do inconsciente.
É necessário, portanto, dosar a
duração ideal do interesse do
usuário e explorar o melhor possível
componentes prioritários como a
representação do relevo, a
hierarquia das cores, a legenda
facilmente memorizável. A feliz
combinação desses elementos foi
qualidade apreciável nos
trabalhos cartográficos desde
suas origens, motivo pelo qual
muitos mapas se tornaram,
modernamente, requintados objetos
de decoração, emoldurados e
postos em lugares de destaque. Os
aperfeiçoamentos tecnológicos não
diminuíram, antes acrescentaram,
a atração estética dos mapas.
Ficaram famosos, na segunda
metade do século XX, tanto pela
precisão científica como pela
beleza e bom gosto gráfico-editorial,
os mapas da National Geographic
Society, dos Estados Unidos.
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